Aluna do curso de Psicologia da UNITAU cria oficinas para atendimento a universitários negros

26/05/2021

Aluno, Integração, Comunidade, Questões raciais, Conscientização

Pensando em como melhorar o acolhimento dos estudantes negros da Universidade de Taubaté (UNITAU), Victoria Souza Pereira, do nono semestre do curso de Psicologia, idealizou o projeto Sankofa. Esse projeto tem como objetivo oferecer um espaço de interação entre esses universitários para compartilharem ideias e opiniões.

O termo Sankofa tem origem africana e representa uma “volta para adquirir conhecimento do passado, a sabedoria e a busca da herança cultural dos antepassados para construir um futuro melhor”.

De acordo com dados do Censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de 2019, houve crescimento no número de matrículas de estudantes universitários no Brasil que se declaram pretos nos últimos cinco anos, porém a representatividade desse público ainda é pequena. Em 2019, um total de 613.199 estudantes matriculados declarou ser preto, crescimento de 42,72% desse público em relação ao censo de 2015. Os estudantes pretos representaram 7,12% do total de universitários em 2019, enquanto, em 2015, o quantitativo foi de 5,35%.

“A importância é a representatividade e mostrar que a Universidade também é um lugar de direito e de pertencimento da população preta, para que os universitários se conectem com sua história e seu povo”, comenta a futura psicóloga Victoria Souza.

Segundo o orientador do projeto e supervisor do curso de Psicologia da Universidade, Prof. Dr. Pedro Ivo de Carvalho Yahn, é importante apoiar iniciativas que busquem colocar em pauta esse tema na sociedade brasileira e dentro das intuições de ensino. “O projeto tem como objetivo ofertar espaço de escuta e de fala em que as estudantes e os estudantes pretas e pretos possam compartilhar questões referentes ao racismo estrutural e institucional, assim como a afirmação da identidade afro-brasileira”, comenta.

Os encontros do projeto Sankofa serão semanais e divididos em oficinas, que acontecerão de forma remota. Ao todo, serão sete etapas, sendo as primeiras sobre identidade e as demais sobre a emancipação da população negra e a importância da união e da organização. “Esse processo será feito nas oficinas, em que vamos trabalhar sobre a identidade, a subjetividade, o coletivo e outras coisas que atravessam a população preta”, ressalta a aluna.

O projeto inicia suas atividades na próxima quinta-feira (27) e já recebe as inscrições por meio do formulário disponível aqui.

 

Liliane Carvalho

ACOM/UNITAU