(Foto: Arquivo pessoas / Diorgeres de Assis Victorio)

Do Enic para o mundo: egresso de Direito da UNITAU constrói carreira internacional em Harvard e na FIU

A trajetória de Diorgeres de Assis Victorio, que hoje atua como pesquisador associado nos EUA e colabora com produções da HBO Max, teve início no Encontro de Iniciação Científica (Enic) da UNITAU

Link curto: https://unitau.me/3OXSd7S

23/02/2026 09h29 ⋅ Atualizada em 23/02/2026 09h29


O caminho da pesquisa acadêmica, quando trilhado com rigor e apoio institucional, transpõe fronteiras. Prova disso é a trajetória de Diorgeres de Assis Victorio, egresso do curso de Direito da Universidade de Taubaté (UNITAU). Com uma base sólida construída na graduação, ele hoje atua como pesquisador associado na Universidade Harvard e na Florida International University (FIU), além de ser licenciante e pesquisador da minissérie documental "PCC: Poder Secreto", da HBO Max.

A carreira científica de Diorgeres não começou em grandes centros internacionais, mas sim nos corredores da UNITAU. Em 2002, ainda como estudante, sua pesquisa foi reconhecida e premiada no Encontro de Iniciação Científica (Enic). Esse destaque garantiu ao aluno a participação, com suporte integral da Instituição, na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), um divisor de águas em sua vida.

"A UNITAU me deu um suporte tão grande e forte que eu nunca mais consegui abandonar a Academia. Essa base sólida de pesquisador eu aprendi nas aulas de metodologia de trabalho científico. Eu sou pesquisador hoje em razão de uma Iniciação Científica", afirma o egresso. 

Motivado por sua vivência prática no sistema carcerário, iniciada em 1994 (antes mesmo da graduação), Diorgeres decidiu investigar as lacunas entre a teoria e a prática jurídica. "Eu lia artigos dos maiores penalistas do mundo e prometi ser o pesquisador que preencheria a lacuna científica que eu via no dia a dia", recorda.

Reconhecimento em Harvard e na FIU

O reconhecimento internacional consolidou-se em 2020, quando publicou o artigo "Pandemia no Sistema Prisional Brasileiro" na prestigiada revista ReVista, de Harvard. O estudo utilizou sua experiência na Penitenciária de Tremembé para analisar a realidade de servidores e detentos. O trabalho foi tão relevante que recebeu nova menção em 2022, na edição especial Eyes on COVID-19.

Em dezembro de 2025, Diorgeres expandiu sua atuação na FIU com o artigo "Links Between Transnational Crime and International Terrorism". No texto, ele analisa a complexa conexão entre o crime organizado brasileiro e grupos como o Hezbollah, investigando a evolução das facções e o uso de capacidades específicas, como o recrutamento de especialistas para missões terroristas.

O futuro da pesquisa

Com mais de 30 anos dedicados ao estudo do fenômeno criminal, Diorgeres hoje vê seu trabalho citado em teses e entrevistas ao redor do mundo. Atualmente, ele se dedica à produção de um livro etnográfico e histórico, para consolidar o aprendizado.

Para os universitários que desejam seguir o caminho da pesquisa, ele deixa um conselho valioso: "Observem com atenção o que está ao seu redor, em seu bairro ou trabalho. Ninguém vai conseguir ser mais cientista do que aquele que pesquisa o que vive". Ele reforça a importância de ser criativo e persistente nas linhas de pesquisa: "Sigam fortes. A ciência está por todos os lados", conclui.

Gabriel Salles
ACOM/UNITAU