(Foto: Arquivo Pessoal/ Fabiana Guirado Faggioni)

Pesquisa do Mestrado em Ciências da Saúde da UNITAU investiga efeitos de preenchedores de harmonização facial em células cutâneas

Estudo avalia impactos celulares da exposição contínua ao ácido hialurônico

Link curto: https://unitau.me/46oAfke

15/09/2025 17h51 ⋅ Atualizada em 15/09/2025 17h52


A harmonização facial tem se popularizado nos últimos anos. Segundo levantamento da revista norte-americana Plastic and Reconstructive Surgery, mais de 47 mil procedimentos desse tipo são realizados anualmente no Brasil. Apesar disso, ainda há perguntas sobre os efeitos a longo prazo dos preenchedores utilizados.

Para investigar o tema, a cirurgiã-dentista, especialista em harmonização orofacial e aluna do Programa de Mestrado em Ciências da Saúde da Universidade de Taubaté (UNITAU), Fabiana Guirado Faggioni, desenvolve uma pesquisa sob orientação da coordenadora do programa, Profa. Dra. Laís Concílio.

O estudo, que recebeu menção honrosa no Congresso da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Odontologia, realizado em setembro em São Paulo, busca entender como o BDDE (1,4 butanediol diglicidil éter), substância usada para aumentar a durabilidade do ácido hialurônico, pode afetar as células cutâneas quando usado repetidamente.

“Nosso estudo sugere que o agente reticulador, um componente químico adicionado ao ácido hialurônico para aumentar a durabilidade no local de aplicação, pode provocar impactos importantes. Cada tipo de ácido hialurônico tem uma indicação específica, como aumento de volume ou reestruturação, e os agentes garantem que o produto permaneça mais tempo no organismo sem ser rapidamente degradado”, explica Fabiana.

(Foto: Arquivo Pessoal/Fabiana Guirado Faggioni)

Nos primeiros testes laboratoriais, os resultados indicam que, mesmo em concentrações consideradas seguras, o BDDE pode alterar o processo de metilação do DNA, que regula a expressão de características e pode estar associado ao surgimento de doenças ou instabilidades celulares.

“Essas concentrações, embora consideradas normais, podem afetar a metilação do DNA, responsável por silenciar o aparecimento de certas características e fenótipos. Isso pode gerar instabilidades celulares e sugere que o valor de BDDE residual adotado mundialmente talvez não seja tão seguro quanto se acredita”, ressalta a mestranda.

Impacto social

A expectativa é que os resultados contribuam para aumentar a segurança nos procedimentos estéticos e promover o uso consciente da harmonização facial.

“O Programa de Mestrado e Doutorado em Ciências da Saúde reúne profissionais de diferentes áreas da saúde; médicos, enfermeiros, nutricionistas, cirurgiões-dentistas e biomédicos; o que torna nossas pesquisas mais robustas e atuais, com impacto direto na sociedade. Além da pesquisa sobre o ácido hialurônico, desenvolvemos estudos sobre ansiedade e dor, insuficiência cardíaca e uso do cigarro”, finaliza a coordenadora do programa, Profa. Dra. Laís Concílio. 

ACOM/UNITAU