A obra foi inaugurada nesta última sexta-feira (15) | Foto: Leonardo Oliveira/ACOM-UNITAU

Egresso de Serviço Social leva arte urbana para a 45ª Semana Jurídica da UNITAU

Artista VEERRE retorna à UNITAU e cria grafite com mensagem de empatia e justiça social.

Link curto: https://unitau.me/45NHzXr

15/08/2025 13h17 ⋅ Atualizada em 15/08/2025 13h27


"Empatia é enxergar a dor invisível; justiça é agir para que ela não se repita". Essa foi a frase escolhida por Valdir Ferreira da Silva, conhecido como VEERRE, egresso de Serviço Social, para acompanhar o grafite feito no Departamento de Ciências Jurídicas e Internacionais da Universidade de Taubaté (UNITAU). A pintura foi produzida durante a 45ª Semana Jurídica, que aconteceu entre os dias 11 e 15 de agosto com o tema "Direito e Igualdade: construindo um futuro sem discriminação", assunto que inspirou o artista na criação da obra.

"Essa pintura fala sobre empatia e verdade, que, para mim, são pilares da justiça. O desenho no cabelo da mulher representa a periferia e a mão estendida simboliza uma entrega, um gesto de consideração às pessoas", explica VEERRE.

Foto: Guilherme Schiavo

A frase que acompanha a obra convida à reflexão sobre a construção de uma sociedade mais justa, enquanto a questão da invisibilidade social por trás da obra ganha ainda mais força graças a uma técnica utilizada: Com a proximidade dos tons de cores, o desenho do cabelo da mulher aparece apenas quando há sombra na parede – quando o sol reflete, esse detalhe desaparece.

“Essa ideia se traduz na forma como as cores, símbolos e expressões revelam histórias e dores que não estão à vista de todos. A arte tem o poder de tornar visível o que é invisível, de sensibilizar antes mesmo de explicar”, declara o egresso.

Esse era exatamente o objetivo do artista: unir o espaço em que a pintura está, o seu estilo próprio e os temas abordados durante a semana jurídica. "No processo criativo eu tento conectar uma coisa com a outra. Aqui, consegui unir os três elementos em uma única obra", conta.

Outra curiosidade sobre o grafite é a forma em que o artista usou termos relacionados ao tema como linhas guia. Palavras como “justiça”, “paz” e “sensibilidade” foram escritas antes da pintura para orientar VEERRE e, depois de finalizada, se tornou um detalhe escondido para quem aprecia.

Foto: Arquivo pessoal/ VEERRE

Além disso, o artista compartilhou que dentes e mãos são os elementos mais difíceis de desenhar, e ele escolheu justamente um deles para compor a obra. Para facilitar o processo, VEERRE usou a própria mão como referência e transformou a estratégia em um detalhe pessoal ao incluir sua cicatriz no pulso – marca permanente de um acidente de moto que lhe causou uma fratura.

Foto: Guilherme Schiavo

Com a inauguração do grafite nesta última sexta-feira (15), os universitários e universitárias agora podem refletir sobre seu papel na construção de uma sociedade mais empática enquanto apreciam a arte. “Trazer pinturas para a Universidade é importante porque quando a gente estuda, estamos enfiados em livros, textos e muita coisa. Às vezes é só olhar para uma arte, refletir para entender o que aquilo quer nos dizer que já ajuda. É uma válvula de escape”, ressalta VEERRE.

Confira as fotos do processo de pintura aqui.

Foto: Guilherme Schiavo

O artista por trás da obra

Nascido em São Paulo e taubateano de coração, Valdir começou desenhando em papelões, azulejos e muros, frequentemente utilizando carvão e cacos de telhas como pincéis.

Com duas décadas dedicadas à arte urbana, ele ficou conhecido como VR Stencil e iniciou sua carreira artística utilizando preto, branco e cinza por economia. Hoje, essas cores se tornaram parte da sua assinatura, só que aperfeiçoadas. No grafite do Departamento de Ciências Jurídicas e Internacionais, por exemplo, foram utilizados branco, preto e sete tons diferentes de cinza.

Foi se aperfeiçoando como artista de rua que ele desenvolveu a técnica que batiza seu antigo nome artístico: o Stencil – ferramenta que utiliza moldes vazados para transferir tinta para superfícies. "O Stencil foi a minha porta de entrada para a arte urbana. Como eu via vários artistas utilizando, sabia que era uma forma rápida de se expressar na rua. Mas ao longo da minha trajetória fui aprendendo o grafite, que é o que eu uso hoje", explica.

Outra questão que compõe sua identidade artística é a escolha por retratar pessoas negras, ideia que surgiu quando ele começou a pesquisar e perceber padrões em ilustrações históricas. "Essa comunidade precisa se representar de outra forma nas artes. Antes era muito pejorativo, pintura de escravos ou de serviçais, e nunca de uma forma bela como reis, rainhas”, declara. “Na minha opinião, a arte pode contribuir imensamente para discussões sobre racismo e igualdade porque ela comunica de forma sensível e direta, quebrando barreiras que, muitas vezes, o discurso formal não consegue", conclui.

Depois de migrar para a técnica do grafite e mudar seu nome artístico para VEERRE, ele foi convidado por colegas para trazer sua arte pela primeira vez à UNITAU, no Campus que era sua segunda casa enquanto cursava Serviço Social. O que começou no Departamento de Ciências Sociais e Educação se expandiu para Arquitetura e Urbanismo, depois para o antigo prédio de Comunicação e, agora, chega ao de Ciências Jurídicas e Internacionais.

Já no cenário internacional, seus trabalhos já foram expostos na Alemanha, Áustria, França, Inglaterra e Itália, comprovando que a arte urbana pode alcançar qualquer espaço quando carrega autenticidade a e uma mensagem de impacto.

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Maria Lemos
ACOM/UNITAU