Egresso da agro UNITAU, Eduardo Bronzídio recebe ?Nobel do Meio Ambiente?; confira entrevista exclusiva (Foto: Divulgação/Tyler Prize)

Egresso da Agro UNITAU, Eduardo Brondízio recebe 'Nobel do Meio Ambiente'; confira entrevista exclusiva

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10/04/2025 08h52 ⋅ Atualizada em 28/04/2026 15h41


O engenheiro agrônomo, Eduardo Brondízio, egresso da Agronomia da UNITAU e professor de Antropologia na Universidade de Indiana, em Bloomington, nos Estados Unidos, recebe nesta quinta-feira (10) o Tyler Prize for Environmental Achievement. A premiação é popularmente conhecida como “Nobel do Meio Ambiente”.

Brondízio se tornou o primeiro brasileiro a aparecer na lista de contemplados pelo Prêmio Tyler de Realização Ambiental, que reconhece líderes globais em meio ambiente e sustentabilidade desde 1973. Há mais de três décadas, o chão da floresta é o lugar pelo qual ele tem caminhado com mais frequência, apesar de ter uma carreira internacional consolidada há muitos anos. O pesquisador recebe o prêmio ao lado da pesquisadora argentina Sandra Días. 

Em meio à extensa agenda de compromissos do Prof. Dr. ele participou do episódio 27 do Programa (R)egresso no canal do YouTube da Mais UNITAU Audiovisual e no Spotify. A conversa com a jornalista Jaíne Monteiro e com Júlia Oliveira, egressa de Biologia, e estudante do curso de agronomia, pode ser conferida no vídeo abaixo.

 

Confira abaixo os principais trechos do bate-papo realizado de forma virtual

UNITAU: Como foi a escolha pelo curso de Agronomia na UNITAU e de que maneira isso contribuiu para todo o restante da sua trajetória?

Eduardo Brondízio: “Quando eu estava naquele processo de escolher um curso ou uma disciplina, eu não sabia onde eu estava indo, mas eu sabia o que eu queria fazer, que era buscar um caminho em que eu pudesse trabalhar no chão, entendendo a realidade das pessoas e onde tivesse a oportunidade de eu fazer pesquisas e conectar o trabalho diretamente com comunidades rurais. [Queria trabalhar] com uma pesquisa mais aprofundada, que pudesse ajudar a entender a realidade dessas comunidades, os problemas que elas enfrentam e as contribuições que elas trazem também. Isso vem de uma experiência pessoal. Eu e muitos da minha geração crescemos em um país em transformação muito intensa e minha família tem raízes na zona rural, em cidades pequenas, no interior de São Paulo, na Serra da Mantiqueira. Nós vivenciamos essa transformação do país, onde o processo de urbanização era muito grande, a transformação das populações rurais era muito grande, e isso era parte do meu interesse, de entender como é o papel, a posição, o lugar das comunidades rurais e dos produtores agrícolas em uma sociedade em transformação. Então a Agronomia me ofereceu esse caminho de trabalhar no chão e de entender também os fatores maiores que estavam influenciando essa transformação.”

Em que proporção um perfil tão interdisciplinar beneficia o profissional que opta pela área de ciências sociais e antropologia?

Eu acho que uma Interdisciplinaridade não significa falta de especialidade. Esse é um balanço importante, a proporção do perfil é que você pode criar um perfil interdisciplinar com habilidade de trabalhar, conectar e colaborar com vários outros profissionais e campos, trazendo metodologias e conceitos de outros campos e mesmo assim tendo as suas áreas de especialização e de profundidade que permite com que você traga uma contribuição significativa para as questões que você está enfrentando. Essa proporção é conciliar as suas áreas em que você tem mais interesse, você vai a fundo, em que você traz contribuições substantivas com  a sua habilidade de entender a linguagem de outras áreas e contribuir com métodos e abordagens analíticas para outras áreas. Não precisamos pensar em interdisciplinaridade como algo onde você vai se espalhar de maneira superficial por várias áreas, mas sim de maneira profunda em algumas áreas de pesquisa e com habilidades de conectar essas áreas e trazer perspectivas que vêm de outros campos. 

Qual é o sentimento de ser reconhecido pelo Tyler Prize e representar, não só o Brasil, como a região do Vale do Paraíba?

Claro, foi uma surpresa incrível, mas acho que é um reconhecimento de um trabalho que é colaborativo. Eu me sinto muito honrado, mas o mais importante pra mim é como eu acho que as pessoas se sentem parte desse processo, compartilhando-o, porque o que eu faço reflete o que muita gente vem fazendo. É o que a gente começou a fazer na Agronomia, no início do anos 80, que era buscar e trazer um olhar ambiental e social para a agricultura e para a Agronomia, onde eu aprendi muito. Daí que a gente foi levando essas agendas para frente. O que me deixa mais feliz é de ver que as pessoas compartilham isso, porque realmente vem sempre num processo colaborativo, a gente nunca faz sozinho, principalmente nesse tipo de pesquisa. Eu quero que todo mundo se sinta parte disso. Outro aspecto é que é uma oportunidade de chamar a atenção para a dimensão social da crise ambiental que a gente tem e para a contribuição de populações que são invisíveis, que são marginalizadas, mas que têm uma contribuição gigante não só para a produção de alimentos, mas para as questões ambientais e climáticas. Essa [honraria do Tyler Prize] acaba sendo uma plataforma que traz essas questões à tona, a policrise amazônica, que não é só ambiental e climática, mas é uma crise social que a gente tem na região. A gente tem, na Amazônia, a maior concentração de pobreza do país, é a região mais violenta do país. Se a gente pensar, das 20 maiores favelas no Brasil, metade delas são na Amazônia. Em cidades como Belém e Manaus, mais da metade da população vive em condição subnormal. O avanço do crime organizado na amazônia [alcança] um terço dos municípios da região. Cerca de 19 grupos de crime organizado criam uma economia ilegal que se entrelaça com a economia legal, agricola e de recurso, e que geram uma outra quantidade de problemas sociais. Falo isso porque esse reconhecimento dá a oportunidade da gente trazer essa realidade para as discussões climáticas e econômicas. Parte de não só refletir a realidade, a minha participação ou a minha oportunidade gerada por esse prêmio, não é só refletir a realidade que as pessoas vivem e trazer isso à tona e trazer principalmente a contribuição que elas tem e o reconhecimento que merecem, mas trazer também a atenção para as crises sociais que geralmente são conversadas dissociadas das discussões climáticas e de biodiversidade. Então, eu acho que acaba sendo uma plataforma importante pra gente ter essa conversa, trazer essa realidade e, quem sabe, avançar não só nos desafios ambientais e climáticos, mas também nos desafios sociais. Me senti muito honrado deles reconhecerem que essa temática precisa estar na mesa, precisa estar visível, e também principalmente honrado de, espero, poder representar tantos colaboradores no brasil, aqui [nos Estados Unidos] e em outros países e, principalmente, na região amazônica, onde a gente vem fazendo esse trabalho conjuntamente. Eu espero que seja o sentimento de todos, que isso é um alcance conjunto. 

Agronomia UNITAU

O curso de Agronomia da UNITAU é uma excelente escolha para quem deseja se tornar um profissional capacitado e atualizado para atuar em diversas áreas da agricultura. Com uma formação sólida e abrangente, o curso oferece disciplinas teóricas e práticas, além de projetos de pesquisa e extensão que permitem ao aluno vivenciar na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula.  

Além disso, o curso conta com uma infraestrutura moderna e tecnológica, laboratórios bem equipados e professores altamente qualificados. Com isso, os alunos adquirem conhecimentos e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável de acordo com a Agenda Global 2030. 

ACOM/UNITAU