Educação inclusiva deve começar na formação dos docentes

16/09/2022 ⋅ Atualizado há 2 dias

Biologia, educação inclusiva, Inclusão, Graduação, UNITAU

“Não tenho preparo para isso”, “só aprendem até certo ponto”, “ela tem probleminha”. Essas são algumas das frases, em referência a pessoas com deficiência, ouvidas pela Profa. Dra. Luciana Magalhães, docente do Mestrado Profissional em Educação da Universidade de Taubaté (UNITAU), durante anos de atuação na educação inclusiva. Considerando a informação e a formação como as melhores ferramentas contra o preconceito e a caminho da inclusão, a professora levou aos alunos do 6º semestre da Licenciatura em Biologia da UNITAU, na última segunda-feira, 12 de setembro, a palestra “Significações sobre a deficiência: construindo práticas inclusivas na Educação”.

A licenciatura é uma modalidade de ensino superior com ênfase na docência, que forma os professores de ensino fundamental e médio, em disciplinas como a Biologia. Além das competências técnicas de cada matéria, o docente deve estar preparado para lidar com as diversas situações que surgem na sala e respeitar e incluir a diversidade de alunos matriculados nas escolas.

A atividade ministrada pela Profa. Luciana propôs uma reflexão sobre os processos de inclusão escolar e incentivou um novo olhar dos estudantes para a deficiência.  “A gente enxerga de uma forma assistencialista, de uma forma em que a gente não compreende a pessoa como um todo, olha primeiro para a deficiência para depois vir a entender quem é esse aluno. A gente tem um olhar muito estigmatizante”, pontua.

A graduação é o primeiro passo na formação de um professor e é fundamental no desenvolvimento desse olhar. “Aqui no curso de Biologia, muitas vezes, a gente vê um olhar ‘biologizante’ para pensar na deficiência, então é muito importante trazer uma abordagem pensando na pessoa com deficiência e nas práticas inclusivas, com um olhar social, histórico, para podermos enxergar essa realidade por outros ângulos”, afirma a docente.

A significação da deficiência, como apresentada na palestra, auxilia no esclarecimento de questões como os desdobramentos das diferenças nas relações escolares e sociais, buscando a transformação. “Atividades desse tipo sempre contribuem para que os alunos possam, quando se depararem com essa realidade, ter uma nova forma de entendimento. É uma diferença, como qualquer outra. Então, a gente precisa trazer essa diferença para o nosso dia a dia”, aponta a especialista. “Essa transformação é um processo”, completa.

A palestra foi idealizada pela Profa. Dra. Maria Cristina Vasques Prado Cunha, responsável pela disciplina Práticas Pedagógicas em Citologia e Genética do curso de Ciências Biológicas e docente do Mestrado Profissional em Educação. Ela explica que o propósito da atividade não é apresentar modelos prontos de práticas inclusivas, mas incentivar a reflexão e o estudo dos alunos para que eles tenham essa preocupação quando estiverem planejando e desenvolvendo atividades práticas nas escolas.

Exercícios como esse terão reflexos na atuação do futuro docente. “Quando ele for profissional, terá uma segurança maior ao entrar em sala de aula e encontrar um aluno com deficiência. Muitos ficam com medo, sem saber lidar. Quando você está preparado, lê, estuda, tem a experiência dos estágios e assume uma sala de fato, tem mais segurança para lidar com a heterogeneidade”, avalia a professora.

Esse novo olhar para o planejamento das atividades nas escolas impactou a forma como a estudante Khadija da Mata enxerga o aluno com deficiência. Antes da licenciatura, ela pensava que, como professora, poderia apenas “inventar alguma coisa para ele se distrair”. “Agora, eu percebo que os alunos com deficiência podem aprender, mas de uma maneira específica. É uma aprendizagem diferente, eu vou ter que ter um outro plano para poder ensinar, mas eles têm a capacidade”, conta.

A transformação sentida pela Khadija é o principal objetivo da Profa. Luciana na atuação na educação inclusiva e deve acontecer durante a formação dos profissionais, que, futuramente, irão formar outros cidadãos. “A escola é o local dessa reflexão, é onde a gente se depara com toda essa diversidade, não apenas da pessoa com deficiência. Então, se a gente não tiver essa discussão na universidade, preparando os nossos profissionais para isso, o que a gente espera? A gente precisa trazer esse debate”, finaliza.

ACOM/UNITAU