Consciência solidária fortalece a sociedade

17/12/2021

Acontece, Destaque, Direitos Humanos, Solidariedade, UNITAU

O termo solidariedade tem sua origem em expressões do latim como solidum (totalidade, segurança) ou solidus (sólido, inteiro), podendo ser compreendido como o empenho pelo bem comum. Ou seja, é a ação, pelo bem de todos e de cada um, de sermos responsáveis uns pelos outros.

Para minimizar problemas globais e promover a cultura da solidariedade, a Organização das nações unidas (ONU) estabeleceu o dia 20 de dezembro como o Dia mundial da solidariedade humana. Nesse dia, é reforçado com os governos o compromisso, por meio de acordos internacionais, para contribuir no combate à pobreza. E as pessoas são incentivadas a debater sobre os meios de promover a solidariedade.

Émile Durkheim foi um sociólogo, considerado o “pai da Sociologia”. Para ele, o que une os indivíduos à sociedade é a solidariedade. Em uma de suas teorias, ele explica que, quando a identidade social se dá porque as pessoas são semelhantes entre si e existe um mecanismo baseado em crenças comuns e em valores sociais que determinam qual padrão deve ser seguido, isso é denominado de solidariedade mecânica. As transformações sociais enfraqueceram a solidariedade mecânica, com a sua substituição pela solidariedade orgânica.

“A solidariedade orgânica, também observada por Durkheim, é uma ampliação da consciência. Por meio dela, as pessoas se percebem membros de uma mesma sociedade e se sentem responsáveis a terem determinadas atitudes positivas por perceberem que algo pode ser feito para a construção de uma sociedade melhor. Ocorre esse processo orgânico, as pessoas são diferentes e se complementam”, afirma o filósofo e doutor em educação, Prof. Cesar Augusto Eugenio, da Universidade de Taubaté (UNITAU).

Peter Albert David Singer é o filósofo vivo de maior repercussão segundo a revista New Yorker e foi citado como uma das pessoas mais influentes do mundo pela revista Time. Em uma de suas reflexões sobre a desigualdade social, ele explica que se desenvolve naqueles que são muito ricos a cultura da ostentação, da luxúria e do desperdício. Os estudos dele mostram que os países ricos consomem muito mais em quantidade do que os países pobres, sendo eles mais numerosos. E que, se determinados ricos utilizassem 2% da sua fortuna, o que não afetaria a sua riqueza, resolveria o problema da fome no mundo. Para ele, a consciência solidária iria transformar a cultura do desperdício.

Dentre as teorias de Peter Singer, o professor César Eugênio também destaca que é necessário incorporar o sentimento de ser útil ao mundo. “Solidariedade é predisposição ao despojamento, à entrega, ao encontro com o outro e, sobretudo, a percepção e a consciência de que o outro compartilha da mesma vida que nós”.

Segundo o professor, pequenas ações geram mudanças de comportamento e fazem as pessoas se sentirem melhores na medida em que elas percebem que essas atitudes são positivas e transformadoras.

“O primeiro passo para ser solidário é começar a desenvolver a consciência do despojamento. A percepção do outro dá um novo significado à vida”, finaliza o professor.

Um dos exemplos da prática da solidariedade por alunos e professores da UNITAU é a participação no projeto Rondon. Essa é uma ação do Governo Federal que envolve a participação voluntária de estudantes universitários na busca de soluções para o desenvolvimento de comunidades. Foram aprovadas para 2022 duas propostas da UNITAU. A estudante de Direito Nathália da Cruz Muniz, que participará da primeira expedição em Grão Mogol, município em Minas Gerais, explica o quanto o projeto contribuiu para a sua percepção de solidariedade, olhando para a necessidade do próximo.

 “O Projeto Rondon, assim como outras ações sociais, é um grande incentivo para que as pessoas não pensem somente em si. Ele nos abre os olhos e expande nosso campo de visão crítica. É importante sermos lembrados que tudo não se resume só a nós, mas também aos outros”, diz.

A universitária do curso de Medicina Sarah Soares de Mello Mendes Moreira também participa do projeto, na operação “Amapá mais forte”, em Calçoene. Ela afirma que a proposta está relacionada com ser solidário, pois o princípio básico é o voluntariado.

“O projeto nos proporciona uma troca de conhecimentos única. É um momento de reconhecer as diferenças e de valorizar a troca de informações e de culturas. Esse tipo de experiência é muito importante em nossa formação, pois o objetivo, tanto de nossa jornada acadêmica, quanto do projeto Rondon, é ser útil aos outros”, comenta a aluna.

Quer desenvolver uma consciência solidária? Confira, abaixo, algumas dicas destacadas pelo professor Cesar Eugenio.

  • A solidariedade se amplia na percepção do outro, as pessoas se ajudam independentemente da classe social a quem pertencem.
  • Mudança de atitude.
  • Mudança de visão.
  • Mudança de percepção de mundo.
  • Desenvolvimento das virtudes da tolerância.
  • A solidariedade é uma grande mola para a transformação social.

Foto: Leonardo Oliveira

Linda Uberti
ACOM/UNITAU